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E a gente era menino da calça rasgada
Correndo atrás de pipa, rindo de piada,
Beijando a professora, lendo tabuada
porque ser gente grande não resolve nada.
E a gente era o rei desse conto de fadas,
Cavalgando corcéis, desembainhando espadas
E tínhamos princesas como namoradas,
Porque ser gente grande não ajuda em nada.
E a gente era criança da voz malcriada,
Brincando de carniça, jogando pelada,
Roubando na despensa queijo e goiabada,
Porque pensar na fome não sacia nada.
E a gente era moleque em plena calçada,
Fungando pelo tombo e pela topada,
Plantando bananeira, mordendo cocada,
Porque ser gente grande não sacia nada.
Até que a fantasia foi despetalada
Tão repentinamente em nossa madrugada
Que o doce, a professora, o tombo na estrada
Ficaram soterrados na voz mais calada.
Luiz Poeta (SBACEM – RJ)
De autoria de
Luiz Gilberto de Barros
Direitos Autorais Reservados
Escola Nacional de Música
UFRJ & SBACEM - RJ
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