Quando o poema se enfeita
Dessa loucura sublime
De qualquer verso que rime
Com a emoção mais perfeita...

Quando o silêncio se ajeita
Na solidão mais completa
E o coração de um poeta
Nessa loucura se deita...

Ah... quando o amor se deleita
Na pele da poesia
E solta-se a fantasia
Na poesia desfeita...

Aí começa a colheita
Do sonho mais envolvente
Porque o amor que se sente
Nenhum coração rejeita.

Autoria: Luiz Poeta
Direitos autorais reservados
Biblioteca Nacional



Vibrando em vozes , cheirando a tinta fresca
poesia percorres ardente e sutil...
transitas por minhas veias como uma torrente,
mistura de sangue e letras surges
te apresentas desafiante na autocrítica
amante na paixão de enamorados

sinfonia en duetos febris...
ferves em minha pele sangrando
meus poros de dor por minha entrega...
ai louca poesia!
me desnudas ante o mundo,
meus sentimentos envergonhados...
rubor inesperado...suor e tremor...
Prazer ao perder parte da pele
na poesia...
sinto que estou vivo!
apaixonado pela vida,
seguindo carnal mariposa,
profundos diálogos marinhos...
escutando o som do silêncio,
o sol cegando meus olhos...
refletido em olhos bruxos,

encontro inesperado com minha loucura...
me transportas por caminhos sem fim...
amante, amigo, utópico, sonhador...
vou seguindo impulsos,
movido pelo fluxo de tinta,
e sangue que alimenta meu corpo
esta loucura maravilhosa...
de nascer e morrer em letras
prazer que poucos conhecem...
louca poesia feliz
ao sentir-te em meus adentros.

Autoria: Marcelo Romano
Salta - Argentina
Direitos autorais reservados




Espalham-se os guardas, as milícias
e vibram as sirenes estridentes.
Pelas ruas farejam cães-polícias:
procuram o Poeta entre as gentes.
Todos sabem que ele é um subversivo
temido, perigoso cadastrado
que afirma o direito de estar vivo
e de andar vertical por todo o lado.

Procuram nas notícias dos jornais
a cara do Poeta fugitivo
tentando descobrir alguns sinais
que o tornem, desde logo, conhecido.

Na rádio, na TV, noticiários
já lançaram apelos lancinantes
pedindo que se evitem riscos vários
de infecção com versos delirantes.

A cidade agitada, no pavor
de se envolver em tal epidemia,
não deixava que alguém fizesse amor
porque o Amor, às vezes, contagia...

Deixaram as pessoas de sorrir,
aos jovens proibiu-se namorar,
os músicos deixaram de se ouvir,
os pássaros pararam de cantar.

Impediu-se o luar de aparecer
p'ra não alimentar o romantismo.
Proibiu-se ao Homem e à Mulher
a mínima atitude de erotismo.

Decretou-se que o Dia era cinzento,
foi imposto o silêncio por decreto,
ergueu-se à Tristeza um monumento,
aboliu-se a Ternura e o Afecto.

O Poeta, acusado de loucura,
na solidão mais densa se escondia
refém de si mesmo e da amargura
que a Verdade nos outros produzia.
Apareceu então à luz do dia
com o rosto tingido de ternura.
Dois tiros acertaram no seu peito
matando a loucura em pleno dia.
Mais tarde descobriu-se o que foi feito:
Morreram o Poeta... e a Poesia!

Autoria: Fernando Peixoto
Vila Nova de Gaia - PT
Direitos autorais reservados

 



Sou deleite sutil, eu sou mistura
de emoções que em rimas se sucedem.
Vestindo na palavra a forma pura,
desenho o cálido perfil do éden...
Sou vaidosa, ardente, feiticeira,
dos poetas sou magia e sedução,
com mil vozes sou divina cantadeira
que confunde o pulsar do coração.

Sou a eterna musa apaixonada
galopando em versos, atrevida,
partindo por aí em desfilada
na garupa dos mistérios desta vida!
Sou profunda, meu mergulho é abissal
no ponto extremo onde se acaba a luz.
Sou a coragem que se reza no missal,
sou tudo aquilo que o sentir seduz...

Palavra reta que nunca se amofina,
sou inefável mesmo quando instigo.
Eu sou dos desesperos a morfina
E sou dos descalabros o castigo.
Fonte do instinto e da loucura,
de tão afoita me querem por à margem
pelo incômodo que causa esta bravura
de vencer a censura com coragem!

Pouco me importa se me fecham portas
meu canto mágico abre os corações
rompe sentimentos e comportas,
e o tônus libera às emoções!
Sou dos amantes a suave algema,
e a Ternura visto de magia.
Morto o poeta, rasgado o poema,
a Vida ainda em versos eu cingia!
Não se extingue a vida da Poesia!

Autoria: Sylvia Cohin
Bahia - Brasil
Direitos autorais reservados
Biblioteca Nacional

 


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