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Nascido entre as raízes da cultura,
Seu moço planta seu acontecer,
Criado nas mãos da literatura,
Cultiva ambicioso o seu saber.
Estuda os fenômenos da vida
Suas fórmulas e suas dimensões
E a vida lhe passa despercebida
Sem vida, entregue às suas pretensões.
Criado na lama do desengano,
O pobre nem tenta profetizar,
Espera acomodado, sem ter planos,
A vida que lhe vive a esperar.
Seu moço regressa à casa grã-fina
Levando um novo tipo de mulher
A quem mostra dos móveis à piscina
E dá tudinho que a moça quiser.
O pobre chega em casa já noitinha,
Levando o que ganhou e que não dá
E um beijo pra saudar Mariazinha,
Que só tem beijos pra se alimentar.
Seu moço é dono de uma construtora
De nome, a mais rica do lugar;
A irmão caçula é quase já doutora
E o pai é o prefeito titular.
O pobre é pedreiro, marceneiro,
Biscateiro, tecelão;
A irmã mais nova é triste lavadeira
Que vive ensaboando ilusão.
O pobre, coitado, morre de fome
E o rico, o grande, morre de enfarte;
No final disso tudo a terra os come
E a morte é quem faz a sua arte.
A vida quando vem, nos acolhe,
Nos faz ricos ou pobres afinal,
Mas quando a morte chega, não escolhe
Pessoas quanto ao meio social.
Luiz Poeta (SBACEM – RJ)
De autoria de
Luiz Gilberto de Barros
Direitos Autorais Reservados
Escola Nacional de Música
UFRJ & SBACEM - RJ
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