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Eu não faço poesia como quem trabalha;
Meu silêncio requer emoção e sentimento.
Se quero falar de amor e a língua falha,
Falo com meu olhos ou me movimento.
Meu verso brota como a chuva numa calha,
Como uma bolha sutil ao sabor do vento;
Sempre cicatrizo a dor que me retalha;
A inevitável calma mora em todo ser
violento.
Autoria: Luiz Poeta - Luiz Gilberto de
Barros
Direitos Reservados
Biblioteca Nacional
RJ

Parece que
alguém me olha pela fresta...
- Quem será ? – pergunta a solidão
- dentro do meu peito -
Um passarinho, um vegetal ou um inseto ?
O bosque, o vento, a vida... tudo está
quieto...
Meu coração me cobra, insatisfeito.
Alguém está falando a meu respeito...
- Quem será ? Um monge, um anjo ou um duende
?
Pergunta meu silêncio angustiado.
Na foto, o meu olhar me olha de lado...
- Será que o meu olhar não mais me entende ?
Alguém está pensando muito alto
- estou ouvindo o som que se propaga -
e a emoção contida nesse ato
reflete a solidão fria de um rato
que hesita ante a frieza de uma adaga.
Autoria: Luiz Poeta - Luiz Gilberto de
Barros
Direitos Reservados
Biblioteca Nacional
RJ

Cada vez que
eu me olho no espelho,
Meu passado mais está no meu olhar;
O meu rosto, apesar de estar mais velho,
Olha o tempo, não vendo o tempo passar.
Noite e dia se repetem vagamente,
Luz e sombra se renovam sem parar,
Meu silêncio me envolve lentamente
E a saudade se instala em meu olhar.
Na ausência de um passado mais latente,
Eu invento a solidão fria do mar;
O meu coração desliza na corrente
E naufraga na emoção do teu olhar.
Autoria: Luiz Poeta - Luiz Gilberto de
Barros
Direitos Reservados
Biblioteca Nacional
RJ

Eu não gosto
de afirmar o que eu não saiba;
e se souber... qual a verdade verdadeira ?
Não reconhece o odor o que não cheira;
nunca se encaixa tudo aquilo que não caiba.
O que é real contesta toda fantasia;
a hipocrisia é uma máscara sutil
que mostra cores ao cego que nunca viu
a verdadeira cor da farsa e da ironia.
Pego carona no barco da poesia.
Prefiro ver a dimensão sutil do mar;
Não uso máscara, destilo a alegria,
Que salta livre através do meu olhar.
Autoria: Luiz Poeta - Luiz Gilberto de
Barros
Direitos Reservados
Biblioteca Nacional
RJ

Teu coração te
palpita
Porque tem aprisionado
Um velho amor que te grita
De um tempo do teu passado.
Teu coração maltratado
Por teus sutis devaneios,
Grita sem ser escutado
Por quem não tem teus anseios.
E essa aflição repentina...
Que importa de onde ela veio ?
O importante, menina,
É que ela pulsa em teu seio.
Autoria: Luiz Poeta - Luiz Gilberto de
Barros
Direitos Reservados
Biblioteca Nacional
RJ
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